Porto Alegre respira e inspira Resiliência

   

Cezar Busatto, CRO de Porto Alegre

2011 foi um ano emblemático para Porto Alegre. Ao longo de oito meses, discutimos a fundo os problemas, desejos e sonhos de cada bairro durante o V Congresso da Cidade. Essa construção, que envolveu milhares de pessoas de todas as representações sociais da Cidade, mostrou que a população clamava por novas respostas aos desafios impostos pelo século XXI, especialmente os de natureza social. Sim, a Porto Alegre tão reconhecida internacionalmente como a Capital da Participação Popular precisava se reinventar.

Ainda nesse contexto de busca por novas construções, fortalecido pelo clamor social que tomou conta do Brasil através das manifestações de milhões de pessoas em 2013, o lançamento do Projeto 100 Cidade Resilientes pela Fundação Rockefeller foi identificado como um propulsor para as mudanças que tanto desejávamos. E é com muita alegria que agora, ao término desta etapa de trabalho, podemos comemorar nossas inúmeras conquistas.

O lançamento da primeira Estratégia de Resiliência de Porto Alegre, a primeira da América Latina, ocorrido em janeiro de 2016, foi um importante marco para a Cidade e mostrou que estamos no caminho certo: o caminho da construção coletiva, da colaboração e da co-criação. Mais de 500 atores sociais estiveram envolvidos na elaboração deste documento ao longo de dois anos, desde as lideranças comunitárias até grandes empresários, passando pelas universidades, pelos poderes públicos e pelo terceiro setor. A Estratégia de Resiliência de Porto Alegre é uma representação daquilo que mais queremos como sociedade, deixando para trás a lógica excludente de vencedores e vencidos e levando adiante o diálogo, o entendimento das necessidades locais e a construção de oportunidades.

 

Foto: Betina Carcuchinski / PMPA

A partir desse diálogo e das conexões propiciadas pelo Desafio Porto Alegre Resiliente, ações concretas para o fortalecimento da sua resiliência ganharam corpo e hoje já servem como modelo para outras cidades da Rede. A construção do Índice de Desenvolvimento da Resiliência da Cidade , da Política Municipal de Eficiência Energética e Mudanças Climáticas, das Diretrizes Sociais da Revitalização do 4° Distrito – antiga área industrial da Cidade -, dos Centros de Juventude em quatro áreas de grande vulnerabilidade social e do fomento às preciosas Redes Locais de Resiliência nas 17 regiões do Orçamento Participativo são apenas algumas das iniciativas identificadas e estimuladas pelo Projeto e que estão, aos poucos, dando contornos práticos à formação de uma cidade mais preparada e resiliente.

 
O exemplo de Porto Alegre impulsionou ainda a discussão em outras escalas. Ao longo de 2016, por exemplo, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul levantou pela primeira vez o debate sobre Resiliência com a formação da Comissão Especial do Rio Grande Resiliente. O seu relatório final resultará em um Projeto de Lei para a implantação de Planos de Resiliência nos 497 municípios do Estado.

Todas essas ações nos deixam orgulhosos dos avanços obtidos pela Cidade nos últimos três anos, mas de forma alguma nos indicam o fim de uma caminhada. Temos enormes desafios ainda a serem enfrentados e as mudanças no contexto global, nacional e local que estamos vivendo sinalizam para a necessidade de um fortalecimento ainda mais radical da lógica da resiliência. Para evitar perdas e paradas que pudessem diminuir o ritmo dos ganhos propiciados pelo Desafio, articulamos junto a todas as candidaturas que se propuseram a concorrer no pleito eleitoral deste ano o compromisso para continuidade e avanço das ações.

O comprometimento do novo Prefeito era essencial para atingirmos nossa meta, que é chegar a 2022, ano em que Porto Alegre completa 250 anos de fundação, como cidade referência em Resiliência na América Latina. A sinalização já dada de manutenção do Desafio Porto Alegre Resiliente nos deixa confiantes de que este esforço não será perdido.

 

Após mais de 30 anos, nos quais passei por diversos cargos e funções públicas, ter sido designado para coordenar, articular e vertebrar uma cidade de 1,5 milhão de pessoas em torno do novo paradigma da resiliência representou o maior de todos os desafios de minha vida pública. Um trabalho que me deixa imensamente satisfeito e feliz por seus resultados e que não para por aqui. Sigo no caminho da colaboração e da boa luta para a construção de um mundo com mais e mais oportunidades para todos.

 

Viva a Resiliência!